segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

E se...


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Ciência na América, ciência no Brasil

Vi em Universo Racionalista que republicou de StalkRadio

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Fronteiras

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 2 de Novembro de 2017 em Bambuí, Minas Gerais.

Até onde sabemos, a terra é uma grande rocha que repousa sobre um manto espaço-tempo girando ao redor de uma estrela, o nosso sol. Das poucas coisas que verdadeiramente entendemos sobre nossa a galáxia, temos ciência de que estamos no subúrbio, que giramos ao redor de imensos buracos negros e que não temos exclusividade/destaque em nada quando pensamos em dimensões cósmicas.

Aqui na Terra, enquanto isso, pessoas são presas e condenadas por cruzarem fronteiras entre países. Países possuem leis próprias e limites geográficos definidos. Essas fronteiras são, na prática, apenas linhas imaginárias, definidas principalmente com base na aglomeração de povos com características afins que passaram por inúmeros processos históricos. Nesse sentido, você pode, por exemplo, sofrer consequências e ter sua liberdade cerceada por cruzar uma linha imaginária colocada sob uma rocha gigante que "flutua" no espaço! E o pior, você não tem culpa de ter vindo parar aqui e muito menos de ter nascido em um país específico.

As fronteiras, ao que me parecem, foram o recurso que encontramos para sobrevivermos como indivíduos. O mecanismo que precisamos desenvolver para nos aguentarmos. Fronteiras sempre existiram, somos tribais, parecem fazer parte da nossa natureza humana e, também, emergem como fato em comportamentos sociais. Ao mesmo tempo, essa entidade (a fronteira), demonstra uma incapacidade gritante que temos em estarmos juntos, em convivermos em paz uns com os outros, logo e nessa linha de raciocínio, fica clara a nossa inabilidade de aceitar, admirar e extrair o melhor das nossas diferenças.



Se isso for tomado como uma evidência de que, como sociedade, somos ainda muito primitivos, precisamos aceitar que na nossa ignorância foi necessário nos separar para não nos matarmos. Além de claro, assumirmos papéis de exploradores e explorados em vários momentos históricos e até hoje. Assim, em uma sociedade em que fronteiras forem dispensáveis poderíamos supor encontrar o mais alto grau de evolução como comunidade. O que claramente não é o nosso caso, longe disso. Perceba que ninguém se descreve como terráqueo ou como espécie. Pareceria, inclusive, maluquice fazê-lo.

Se fronteiras são um recurso de sobrevivência decorrente do nosso processo evolutivo, o ser humano então é um ser que na sua essência não sabe conviver, logo, somos realmente por natureza burros, especialmente quando juntos. E, também, individualistas, inclusive quando juntos.



A terra como lar depende de nós como seres que a habitam para prosperar. Se vemos o planeta como um espaço dividido, fica claro que assumimos a nossa irresponsabilidade pelo que está além do nosso território. Se estar separado então for algo nato do homem, o planeta Terra, desde já, está condenado, pois para sobrevivermos precisamos nos dividir e, ao nos dividirmos, jogamos no lixo a necessária consciência coletiva pelo espaço comum que habitamos.

Por estes motivos, praticar a aceitação e a admiração das diferenças, no que vejo, vai muito além de ter paciência para escutar uma opinião alheia. É sinal óbvio de inteligência e único caminho que nos guiará como espécie ao futuro. Isso apenas, se eu, você e todos nós, como sociedade única, nos permitirmos. Lembre-se sempre, tudo isso é seu.


Imagens:
[1] https://www.naija.ng/533159-photos-refugee-crisis-painful-watch.html#533159
[2] https://fr.dreamstime.com/photos-images/panneau-routier-%C3%A0-la-fronti%C3%A8re-espagne.html
[3] HEMERA/THINKSTOCK

Extra: Uma dica de documentário que faz pensar sobre o papel que temos para exercer coletivamente nesse planeta é o "Em Busca dos Corais", lançado em julho deste ano com direção do Jeff Orlowski. Tem na Netflix. Abaixo o trailer.



Obrigado por ler este texto!
Grande abraço!